Irrompem as chuvas mais um outono
Encharcam as folhas mortas do esgoto
Do meu peito, com medo, pesar, sono.
Água na pedra, vinho em saco roto.
Esta água seca não me sacia.
Esta água estéril as minhas flores
Sufoca. Água morta de bacia
Que sangra, arde, pisa minhas dores.
Um dia tu me ofereceste água
Viva. Surdo, cego e mudo, não cri.
Afundei-me em um mar de mágoa.
No dia mais cruel do ano eu vi:
Espada no peito, sangue e água.