segunda-feira, 6 de abril de 2009

Água Viva

Irrompem as chuvas mais um outono

Encharcam as folhas mortas do esgoto

Do meu peito, com medo, pesar, sono.

Água na pedra, vinho em saco roto.

Esta água seca não me sacia.

Esta água estéril as minhas flores

Sufoca. Água morta de bacia

Que sangra, arde, pisa minhas dores.

Um dia tu me ofereceste água

Viva. Surdo, cego e mudo, não cri.

Afundei-me em um mar de mágoa.

No dia mais cruel do ano eu vi:

Espada no peito, sangue e água.

Contigo renasci num Domingo de Páscoa!